Mel gourmet produzido no Piauí abastece restaurantes de São Paulo

Apiário do Piauí encontra na alta gastronomia um nicho de mercado para o produto do semiárido.

O mel produzido em Lagoinha, povoado pertencente ao município de Novo Santo Antônio (PI), a 120 qulômetros da capital, Teresina, está adoçando as sobremesas de restaurantes renomados de São Paulo.

No apiário Sítio Alto do Mel, de 5 hectares, as abelhas Apis mellifera encontram um hábitat seguro para produzir o alimento no verão. As floradas nativas da Caatinga são determinantes para o sabor e qualidade do mel e lhe conferem o título de um dos mais puros do mundo.

Quem ultrapassou as fronteiras foi Wener Bastos, apicultor há mais de três décadas. Apaixonado pela produção apícola, ele começou com pouco mais de dez caixas, que eram colocadas em terrenos de amigos. A casa do mel onde trabalha hoje foi construída há três anos e serviu para aprimorar o trabalho de colheita e beneficiamento.

“A produção vai de janeiro a junho, período de chuvas na região”, explica o apicultor, que só no ano passado forneceu 6 toneladas de mel. De julho até novembro, as caixas são migradas para apiários no Maranhão, onde a plantação de eucalipto tem sido alternativa para apicultores durante os longos períodos de seca da região.

A chegada de Teresa Raquel, filha de Wener, também fez diferença nos negócios. Formada em jornalismo e em marketing para mídias digitais, ela levou o conhecimento para a lida no campo. “Isso aqui significa o trabalho de uma vida inteira do meu pai, que quero dar continuidade e contribuir com o que sei fazer, que é comunicar”, diz Teresa, que assumiu as redes sociais e a parte de marketing e venda da empresa Bee Mel. “As abelhas estão desaparecendo, e isso nos faz trabalhar com elas de forma respeitosa e sustentável”, afirma.

PLAYLIST

As idas ao apiário transformaram a atividade em momento de terapia. Nas redes sociais da empresa, fez sucesso o vídeo de uma colheita ao som de Beethoven e Vivaldi. “Fizemos o teste com uma playlist clássica e percebemos que não só as abelhas se acalmavam e evitavam ataques como também nos trazia uma sensação de bem-estar”, explica Teresa.

A visão empreendedora da jovem sócia levou a Bee Mel a fechar contratos e explorar novos produtos para o mercado. Em janeiro deste ano, a empresa forneceu mel para o restaurante de Alex Atala, em São Paulo – considerado um dos quatro melhores do mundo. “Foi a primeira vez que vendemos o favo inteiro, enviamos até na própria melgueira”, diz Teresa, referindo-
se aos quadros com a cera fabricada pelas abelhas para armazenar o mel.

O sub-chef do restaurante D.O.M, Geovane Carneiro, esclarece que a inovação, além do impacto visual – o cliente vê o ingrediente in natura – é a garantia de um mel fresco e com as qualidades ainda mais intactas. “Do jeito que o favo chega ele vai para o suporte e depois direto para a mesa”, nos conta o responsável pela ideia de usar o alimento como incremento no aligot, um dos pratos mais emblemáticos do restaurante. “A qualidade e as notas florais do mel realçaram ainda mais o sabor dos queijos. Foi a combinação perfeita.”

site do café

 

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31 de dezembro de 2019 08:58

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