Menor produção de arroz e feijão pode aumentar pressão por preços mais caros

No primeiro levantamento da nova safra, divulgado nesta quinta-feira (8/10), Conab estimou redução de 2,7% para o arroz e de 3,2% para o feijão

Considerados fundamentais na mesa do brasileiro, o arroz e o feijão devem ter produções menores no Brasil na safra 2020/21, o que pode manter a pressão sobre os preços nos supermercados.

Segundo o primeiro levantamento para a safra de grãos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado nesta quinta-feira (8/10), é esperada uma retração de 297,6 mil toneladas para o arroz (2,7%), para o total de 10,8 milhões de toneladas, enquanto o feijão deve ter recuo de 103,3 mil toneladas (3,2%), para o total de 3,1 milhões.

Para o diretor-presidente da Conab, Guilherme Bastos Filho, a redução da Tarifa Externa Comum (TEC) para a importação de arroz de fora dos países do Mercosul, anunciada pelo governo federal, refletiu em impactos positivos no mercado.

“Os preços já começam um comportamento próximo da estabilidade. A suspensão da TEC surtiu o efeito esperado de interromper o efeito das altas. No final do ano, é comum a demanda por arroz diminuir e, em janeiro, teremos uma nova safra”, disse.

Segundo o executivo, o desempenho da produção de arroz durante a safra vai depender no nível das barragens no Rio Grande do Sul. “Esperamos que até dezembro já tenhamos 100% da área plantada. Neste mês (outubro), será possível avaliar melhor a relação entre o aumento de rentabilidade da cultura e a expansão projetada para a próxima safra”, afirmou.

Em setembro, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, chegou a dizer que não faltaria arroz para o consumo interno. “Tivemos alguns problemas com esse produto. No passado, o arroz teve um preço muito baixo durante muitos anos. Tivemos uma queda na área de produção, então, hoje, ele tem um preço mais alto. Mas está nas prateleiras e vai continuar”, pontuou a ministra.

Além da baixa disponibilidade, o grande problema para o arroz é, também, o preço pago pelos consumidores. Na inflação medida pelo IBGE, o preço do grão registrou variação de 9,96% em setembro, atrás apenas de tomate (22,53%) e óleo de soja (20,33%). Com elevação de 1,48% no último mês, o setor de alimentos e bebidas é o que mais pesa na composição do IPCA-15.

Com a produção de 11,1 milhões de toneladas em 2019/2020 e consumo em 10,8 milhões de toneladas, o estoque de arroz em 537,5 mil toneladas é considerado baixo pelo mercado, e, junto das exportações de 1,5 milhão de toneladas, é a principal razão do aumento no preço. No caso do feijão, os estoques estão em 270,5 mil toneladas, margem apertada, com produção de 3,229 milhões de toneladas e consumo de 3,200 milhões na última safra.

“É natural que a gente tenha visto o consumo de arroz elevado em 2020 porque é um bem básico e o câmbio impactou muito na demanda por conta das exportações elevadas. Isso deu uma rentabilidade forte ao produtor, que não tem tanta flexibilidade como nas áreas de soja e milho”, disse Luiz Fernando Gutierrez Roque, da consultoria Safras & Mercado.

“Não concordo muito com essa projeção de redução para arroz (feita pela Conab). Acho que pode ter um leve crescimento da produção”

Luiz Fernando Gutierrez Roque, da consultoria Safras & Mercado

Para Fernando Pimentel, da Agrosecurity, a inflação é um sinal de alerta. “O governo sempre formou estoques para tentar controlar os preços. Mas, se ele entrar agora, quando o mercado está com a demanda está alta, vai elevar ainda mais. A possibilidade que existe é importar arroz e feijão para tentar controlar a inflação e garantir a cesta básica da população mais pobre”, disse.

Segundo o analista da Agrosecurity, a alta remuneração do milho leva a uma preferência natural pelo cereal em detrimento da produção de feijão. Isso pode ocorrer em Estados como Mato Grosso do Sul, Paraná, Goiás e nas regiões do Triângulo Mineiro, onde o milho ganha corpo na safra de inverno.

 

 

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9 de outubro de 2020 18:02

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Menor produção de arroz e feijão pode aumentar pressão por preços mais caros

No primeiro levantamento da nova safra, divulgado nesta quinta-feira (8/10), Conab estimou redução de 2,7% para o arroz e de 3,2% para o feijão

Considerados fundamentais na mesa do brasileiro, o arroz e o feijão devem ter produções menores no Brasil na safra 2020/21, o que pode manter a pressão sobre os preços nos supermercados.

Segundo o primeiro levantamento para a safra de grãos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado nesta quinta-feira (8/10), é esperada uma retração de 297,6 mil toneladas para o arroz (2,7%), para o total de 10,8 milhões de toneladas, enquanto o feijão deve ter recuo de 103,3 mil toneladas (3,2%), para o total de 3,1 milhões.

Para o diretor-presidente da Conab, Guilherme Bastos Filho, a redução da Tarifa Externa Comum (TEC) para a importação de arroz de fora dos países do Mercosul, anunciada pelo governo federal, refletiu em impactos positivos no mercado.

“Os preços já começam um comportamento próximo da estabilidade. A suspensão da TEC surtiu o efeito esperado de interromper o efeito das altas. No final do ano, é comum a demanda por arroz diminuir e, em janeiro, teremos uma nova safra”, disse.

Segundo o executivo, o desempenho da produção de arroz durante a safra vai depender no nível das barragens no Rio Grande do Sul. “Esperamos que até dezembro já tenhamos 100% da área plantada. Neste mês (outubro), será possível avaliar melhor a relação entre o aumento de rentabilidade da cultura e a expansão projetada para a próxima safra”, afirmou.

Em setembro, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, chegou a dizer que não faltaria arroz para o consumo interno. “Tivemos alguns problemas com esse produto. No passado, o arroz teve um preço muito baixo durante muitos anos. Tivemos uma queda na área de produção, então, hoje, ele tem um preço mais alto. Mas está nas prateleiras e vai continuar”, pontuou a ministra.

Além da baixa disponibilidade, o grande problema para o arroz é, também, o preço pago pelos consumidores. Na inflação medida pelo IBGE, o preço do grão registrou variação de 9,96% em setembro, atrás apenas de tomate (22,53%) e óleo de soja (20,33%). Com elevação de 1,48% no último mês, o setor de alimentos e bebidas é o que mais pesa na composição do IPCA-15.

Com a produção de 11,1 milhões de toneladas em 2019/2020 e consumo em 10,8 milhões de toneladas, o estoque de arroz em 537,5 mil toneladas é considerado baixo pelo mercado, e, junto das exportações de 1,5 milhão de toneladas, é a principal razão do aumento no preço. No caso do feijão, os estoques estão em 270,5 mil toneladas, margem apertada, com produção de 3,229 milhões de toneladas e consumo de 3,200 milhões na última safra.

“É natural que a gente tenha visto o consumo de arroz elevado em 2020 porque é um bem básico e o câmbio impactou muito na demanda por conta das exportações elevadas. Isso deu uma rentabilidade forte ao produtor, que não tem tanta flexibilidade como nas áreas de soja e milho”, disse Luiz Fernando Gutierrez Roque, da consultoria Safras & Mercado.

“Não concordo muito com essa projeção de redução para arroz (feita pela Conab). Acho que pode ter um leve crescimento da produção”

Luiz Fernando Gutierrez Roque, da consultoria Safras & Mercado

Para Fernando Pimentel, da Agrosecurity, a inflação é um sinal de alerta. “O governo sempre formou estoques para tentar controlar os preços. Mas, se ele entrar agora, quando o mercado está com a demanda está alta, vai elevar ainda mais. A possibilidade que existe é importar arroz e feijão para tentar controlar a inflação e garantir a cesta básica da população mais pobre”, disse.

Segundo o analista da Agrosecurity, a alta remuneração do milho leva a uma preferência natural pelo cereal em detrimento da produção de feijão. Isso pode ocorrer em Estados como Mato Grosso do Sul, Paraná, Goiás e nas regiões do Triângulo Mineiro, onde o milho ganha corpo na safra de inverno.

 

 

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