Sem agradar governo nem ambientalistas, presidente do ICMBio é exonerado

Decisão do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, é a segunda mudança no comando do instituto desde abril de 2019

A sexta-feira (21/8) foi de mais uma exoneração para o Ministério do Meio Ambiente e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Presidente da entidade, o coronel da Polícia Militar de São Paulo Homero Cerqueira foi demitido do cargo pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.

O motivo da mudança não foi informado pelo governo. Mas, nos bastidores, entre as possíveis causas estão a divergência entre Cerqueira e Salles sobre incêndios no Pantanal, que cresceram 206% no primeiro semestre de 2020, e o descontentamento do ministro com o fato do então presidente do ICMBio estar se promovendo em eventos online, como quando distribuiu medalhas a servidores para marcar os 13 anos de fundação do instituto.

Procurado por Globo Rural, o ICMBio disse apenas que “a exoneração faz parte do processo de reestruturação dos órgãos ambientais federais”. Porém, esta é a segunda reestruturação no órgão em pouco mais de um ano. Cerqueira entrou no ICMBio em abril de 2019, após Adalberto Eberhard pedir demissão. Na época, a saída dele foi depois de Salles ter anunciado que abriria processo administrativo disciplinar contra servidores que atuavam na sede do instituto em Mostardas (RS).

Além da reprovação do ministro, Homero Cerqueira não agradava aos ambientalistas. O diretor-executivo do Observatório do Clima, Marcio Astrini, postou em uma rede social que ele foi “o pior presidente do ICMBio, que estava no pior governo para a área ambiental da história do país”. Outra fonte de ONGs ligadas ao meio ambiente, que preferiu não se identificar, disse que a atuação de Cerqueira foi quase nula.

inpe-unidades-conservação (Foto: Reprodução/Inpe)
(Foto: Reprodução/Inpe)

Uma das responsabilidades do ICMBio é a gestão das Unidades de Conservação. Apenas na Amazônia, o desmatamento nas unidades cresceu 45% em 2019 em relação a 2018. No ano passado, foram 1.109,39 km² degradados em áreas que deveriam ser conservadas. As maiores degradações ocorreram na Área de Proteção Ambiental Triunfo do Xingu (39,3%), na Floresta Nacional Jamanxim (9%), na Reserva Extrativista Jaci-Paraná (8,5%) e na Reserva Extrativista Chico Mendes (6,8%).

 

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21 de agosto de 2020 21:12

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