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Uso de bagaço de cana-de-açúcar na alimentação de ruminantes

COMO PLANTAR E CRIAR 30 de novembro de 2019

A cana-de-açúcar é uma gramínea perene, originária da Ásia, pertence ao gênero Saccharum, é apropriada para climas tropicais e subtropicais e sua utilização pelo homem, data de épocas desde nossa colonização.

O Brasil é o maior produtor de cana-de-açúcar do mundo, produzindo cerca de 24% do total, em aproximadamente 04 milhões de hectares (ha) e os resíduos originados da cana, após seu esmagamento nas moendas, geralmente coincide com este período de escassez de forragem em determinadas regiões.

Esta planta é versátil, que além de servir como planta forrageira, pode disponibilizar alguns subprodutos e resíduos diversos, quando é industrializada, como por exemplo; o melaço, levedura, torta de filtro e o bagaço, sendo este último, um dos principais resíduos de grande relevância para uso na alimentação animal.

O Brasil como país tropical, apresenta excelentes condições para a exploração de ruminantes em pastagens, porém em determinadas regiões dentro do nosso país, a dificuldade de adquirir alimentos volumosos em épocas secas, torna-se uma árdua e difícil tarefa para muitos produtores rurais. Neste contexto, os subprodutos e resíduos da cana após esmagamento para extração do caldo, oferece soluções para este problema. Por outro lado, os ruminantes sendo animais poligástricos, possuem um estômago complexo, dividido em quatro compartimentos e pode aproveitar esta biomassa, oriunda da cana-de-açúcar.

Existem algumas maneiras práticas de melhorar o aproveitamento do bagaço na alimentação animal. O tratamento químico é uma delas. A técnica é de fácil manuseio, relativamente barata e bastante acessível aos produtores rurais.

A finalidade básica do tratamento é a hidrólise que ocorre dentro da parede celular, causando o rompimento da forte ligação entre a lignina e a celulose, fazendo com que a primeira sendo indigesta, seja expulsa dentro do trato gastrointestinal e a segunda, consequentemente melhor aproveitada dentro do trato gastro Intestinal(TGI).

O BAGAÇO DE CANA-DE-AÇÚCAR COMO ALIMENTO VOLUMOSO PARA RUMINANTES.

O bagaço da cana-de-açúcar é o resultado da extração do caldo após esmagamento nas moendas, rico em conteúdo celular, que serve para fabricação de açúcar e álcool.

Assim como outros resíduos, o bagaço de cana-de-açúcar também tem como base em sua composição química, os seguintes componentes:

I. A celulose; A celulose é o composto químico orgânico que existe em maior abundância nas plantas e em toda a superfície terrestre e é aproveitada pelos ruminantes em diferentes graus, com valores que oscilam desde 20% até 90% e pode servir para suprir as deficiências energéticas dos ruminantes.

II. A hemicelulose; É passível de ser hidrolisada a pentoses, também servindo de energia para os ruminantes;

III. A lignina; O conteúdo nas plantas aumenta com a maturidade fisiológica. Está sempre relacionado com a indigestibilidade das fibras da dieta. Dependendo do grau de lignificação das paredes, dificulta o aproveitamento da celulose e hemicelulose.

O bagaço pode ser melhor utilizado na alimentação animal, desde que tecnicamente manuseado. É um alimento que apresenta baixa digestibilidade, é pobre em proteína, minerais e vitaminas, muito rico em parede celular fortemente lignificada por ocasião do amadurecimento da planta. A celulose, fonte básica de energia para os ruminantes, pouco é aproveitada, por ocasião desta lignificação.

Apesar de ser utilizado na geração de energia, a sobra de bagaço nas usinas é significativa e seu potencial como complemento volumoso para ruminantes é viável tecnicamente.

Recomenda-se duas maneiras para se utilizar o bagaço na alimentação de ruminantes:

Tratamento físico-químico

A auto-hidrólise é uma forma de tratar o bagaço a alta temperatura e pressão , cuja finalidade é melhorar o valor nutritivo , devido aos efeitos da hidrólise ácida através dos efeitos dos ácidos gerados durante o tratamento e afrouxamento da fração fibrosa da parede celular.

Tratamentos por métodos químicos

3.3 – Tratamentos químicos

O tratamento químico, atualmente é o método mais eficiente de incrementar o valor nutritivo dos materiais fibrosos para uso na alimentação animal, não afeta a atividade microbiana do rúmen, sendo seu principal efeito, a melhoria da digestibilidade da fibra, em torno de 43% a 70%, bem como o aumento protéico.

Além de solubilizar a hemicelulose sem alterar o conteúdo cristalino da celulose, o tratamento com álcali aumenta a digestibilidade, a ingestão voluntária, e o valor nutritivo do bagaço.

Amonização de subprodutos agrícolas e agroindustriais via solução de Uréia

4.3 – Tratamento com uréia

A uréia é uma substância branca, cristalina e solúvel em água. Contém aproximadamente 46% de nitrogênio e possui um equivalente protéico de 287% (46 x 6,25). Foi descoberta por Roule em 1773, e Prout em 1818 estabeleceu sua fórmula estrutural:

Este processo é um muito seguro, relativamente barato e simples de usar, se comparado com outros métodos empregados para o tratamento de resíduos lignocelulósicos. Além do que a uréia já é bastante conhecida pela maioria dos pecuaristas e estes não teriam nenhuma dificuldade em manuseá-la. Assim, foi sempre progressivo o interesse para o tratamento de palhas e outros resíduos pela amonização, através da uréia. O êxito do método depende da liberação enzimática da amônia, originado pela uréia em um meio aquoso.

Condições consideradas como ideais para o tratamento de palhas com uréia

fatores como percentual de uréia, nível de umidade final, temperatura ambiente e tempo de tratamento, são decisivos para o sucesso da técnica.

– Percentual de uréia – Deve ser usado 5% com base na matéria seca;

– Umidade final – Recomenda-se 40%;

– Tempo de tratamento – Está relacionado com a temperatura ambiente, pois temperaturas amenas, prolonga-se este tempo;

– Temperatura – Em países com clima tropical, apenas de 7 a 10 dias.

Adubo para Grama

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